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Entrevista Karla Keide
Chef Executiva da Rede Informal

Recém-chegada à Rede Informal, Karla Keide abandonou a fisioterapia para se dedicar à Gastronomia. Formou-se e fez estágios com diversos Chefs renomados do setor, como Rolland Vilard e Flávia Quaresma, com quem assumiu sua primeira cozinha, no extinto Carême. Morando seis meses em Montreal, no Canadá, Karla cursou culinária na Universidade de Quebec e, hoje, é Chef Executiva do Botequim Informal.

O que fez você abandonar a fisioterapia e investir na área gastronômica?

A paixão por tudo que envolve gastronomia. Sempre gostei de cozinhar, criar receitas, testar novos produtos. Frequentava restaurantes e ficava grande parte da refeição “estudando” o cardápio.

Foi muito difícil tomar essa decisão? Como foi a reação de sua família?
Não estava realizada como fisioterapeuta, então resolvi estudar algo que realmente me fizesse feliz. Minha família mora em Londrina- PR e não estão presentes no meu dia a dia. Contudo, apesar da distância, sempre me apoiaram, sobretudo em relação à minha vinda para o Rio de Janeiro.

Como foi trabalhar com a Chef Flávia Quaresma?
A Flávia é uma pessoa muito especial. Trabalhar com ela foi uma escola em que as técnicas, qualidade dos produtos, armazenamento e a finalização dos pratos que chegam ao cliente, são exigidos à perfeição. Foi um período muito gratificante.

Na sua opinião, esse período que passou fora do Brasil acrescentou muito à sua carreira? Conte-nos suas experiências em Montreal.
Com certeza, ficar um período fora me fez aprender novos hábitos e culturas. Em Montreal estudei na UQUAN (Universidade de Quebec) e estagiei em um restaurante espanhol especializado em tapas, chamado Pintxo, eleito um dos dez melhores restaurantes do Canadá. Trabalhava em uma cozinha em que eu era a única mulher e todos tinham nacionalidades diferentes. Pude constatar que a forma de trabalhar é a mesma utilizada no Brasil.

Como é assumir uma casa como o Botequim Informal? Quais são suas expectativas para essa nova fase?
Estou muito feliz em assumir a Chefia de Cozinha da cadeia Botequim Informal. Estou certa de que posso contribuir muito para o sucesso e o crescimento das lojas, agregando conhecimentos técnicos de gastronomia e de gestão de restaurantes. Além da experiência que trago de grandes restaurantes nacionais e internacionais, procuro me manter atualizada ao máximo, através da leitura de periódicos, livros e até mesmo de consultas pela internet. Juntamente com o know-how já alcançado pelo Botequim Informal, creio que possamos chegar à liderança de mercado nacional em pouco tempo.

Como está sendo sua adaptação à equipe?
Fui muito bem recebida. Embora nas cozinhas também exista preconceito em relação à mulher no comando, expondo minha experiência e forma de trabalhar aos poucos conquistei o carinho e respeito da equipe. Acredito muito na máxima de que “para comandar, é preciso ter vivido bem a experiência de ser comandada”. 

O cardápio do Informal é bastante conhecido pelos petiscos que acompanham os chopes. Além deles, quais são os pratos considerados carros-chefes da casa?
Temos um cardápio bastante variado e de sucesso. Além dos petiscos, temos que destacar nossa já famosa feijoada, o apreciado picadinho e as tradicionais chapas, em especial o “mineirinho” e a picanha tira-gosto, pratos com a cara da culinária Carioca, e porque não dizer, Brasileira.

Qual é a característica que você considera imprescindível em um bom bar?
O mercado nacional torna-se cada vez mais exigente. Em razão disso, não se pode falar em uma única característica. Para se ter uma casa de qualidade, é imprescindível a reunião de bom serviço, higiene, padronização de pratos e, obviamente, boa comida e bom chope.

Com tantas opções de bares pela cidade, por quê escolher o Informal?
Inicialmente, vale destacar que, além da excelente comida, o chope do Botequim Informal foi eleito, seguidas vezes, pela AMBEV, o melhor da cidade, fato que sem sombra de dúvidas ajuda a manter a posição de destaque da cadeia no mercado. Fora isso, o Botequim Informal oferece excelentes pratos e petiscos, com grande foco na qualidade final dos pratos e, sobretudo, nos produtos que utilizamos. Prova disso é que, semanalmente, realizamos um “comitê de produtos”, momento em que revemos e discutimos nosso cardápio e linha de fornecedores. Não podemos esquecer, ainda, a grande atenção que o Botequim Informal dispensa à qualidade no atendimento ao cliente. Todos esses fatos agregados, fazem com que o Botequim Informal seja um grande sucesso.

Deixe um conselho para os principiantes na área e para aqueles que, como você, estão pensando em largar tudo e correr atrás de seu sonho no mundo gastronômico.
Não somente na gastronomia, mas em todas as profissões, é essencial o amor pelo ofício escolhido. Do contrário, nada sairá além do “básico” exigido, sendo certo que é o diferencial que destaca o profissional. Por isso, meu primeiro conselho é: não tenha medo de deixar para trás algo que não lhe dá prazer, nem muito menos sustente preconceitos em razão de idade e investimentos feitos. Procure, sim, algo que lhe traga satisfação profissional e prazer, pois o retorno financeiro será questão de tempo. Mais especificamente em relação à gastronomia, meu conselho é que estude muito ao longo da faculdade, procure fazer bons estágios desde o início do curso e, fundamentalmente, tenha humildade e força de vontade. É claro que não se trata de uma “poção mágica do sucesso”, mas considero meio caminho andado...

Nathália Pimentel
 
Receita do Chef
Polenta com molho gorgonzola do Botequim Informal
 
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