Chef Flávio Bezerra fala sobre sua trajetória até a posição de Chef de uma das casas Garcia & Rodrigues, especialista em culinária francesa. Coordenado pelo Chef Christophe Lidy, Flávio, aos 30 anos, administra a cozinha do Restaurante no Barrashopping, Zona Oeste do Rio de Janeiro. Este cearense que está no Rio há 9 anos, nos conta sua história. Confira!
Conte-me sobre sua entrada na gastronomia.Logo que cheguei ao Rio de Janeiro, trabalhei em algumas casas, entre elas o Restaurante Dois em Cena, no Shopping Rio Sul, onde fiquei por dois anos, iniciei praticamente sem saber nada, porém tive um bom desempenho, com um resultado legal, tive bons chefes e, com isso, aprendi rápido e logo assumi o cargo de Chef lá. Quando saí de lá, vim direto pro Garcia & Rodrigues, onde estou há 4 anos. Entrei, na casa do Leblon, como cozinheiro e menos de um ano depois já estava trabalhando como Chef. Foi quando vim para o Barrashopping, através dessa oportunidade que me foi dada pelo Chef Christophe Lidy.
O que despertou seu interesse pela culinária?Bem antes de mim, meu irmão já trabalhava aqui no Rio nessa área. Ele inclusive também passou por restaurantes no Rio Sul e depois foi para o Garcia & Rodrigues do Leblon. Foi através dele que me despertou o interesse de trabalhar na gastronomia.
Você fez cursos na área? Quais?
Quando comecei, não fiz cursos. Entrei direto na cozinha como auxiliar e, uns dois anos depois, quando eu já era Chef, eu fiz cursos no Senac para aprimorar meu conhecimento e ter um bom currículo.
Você acha que os cursos são imprescindíveis ou, na sua opinião, a prática é a melhor escola?
Eu não tenho dúvida de que as duas coisas são importantíssimas. Ter a teoria é super importante, mas é lógico que uma coisa não anda sem a outra. Tudo vai depender da sua capacidade, é claro que você vai aprender com a prática, mas vai haver uma certa dificuldade. E, tendo a teoria, você consegue desenvolver muito mais rápido e melhor. Eu, por exemplo, tive que aprender aos trancos e barrancos, direto na prática. Mas depois que eu fiz os cursos eu achei que foi ótimo para mim, tive bons professores e só melhorou o meu aprendizado.
Como é sua relação com a equipe Garcia & Rodrigues e com o Chef Christophe Lidy?O Chef Christophe, para mim, foi uma pessoa muito importante afinal foi através dele que eu cheguei onde estou, porque o Garcia & Rodrigues é como uma escola onde eu pude desenvolver meus conhecimentos que eram muito limitados e é ele quem é responsável por esse nome, por essa importância. Meu relacionamento com ele é muito bom. A equipe é maravilhosa, todos os nossos Chefs são ótimos. Eu me dou muito bem com a equipe e acho que é por isso que eu estou aqui hoje.
Como você define a sua cozinha?
A cozinha do Garcia & Rodrigues é o local mais agradável que já trabalhei. A do Leblon é ótima, a aqui da Barra é perfeita. O ambiente é maravilhoso. Sempre que há algo que precisa ser mudado, porque em toda equipe sempre vai haver um probleminha, a gente vai mudando, aprimorando, para tornar o ambiente sempre melhor. Acho que uma só palavra para definir a nossa cozinha não existe. É um local ótimo para trabalhar e a responsável por isso é a equipe de uma forma geral.
Qual é o prato que faz mais sucesso com os clientes do Garcia & Rodrigues? Qual seria sua sugestão para quem está vindo pela primeira vez?
Essa pergunta é bem difícil. Todos os nossos pratos são muito elogiados e fica difícil de dizer qual sai mais e qual sai menos. Mas uma sugestão para quem está vindo pela primeira vez, o Steak Tartare seria uma boa pedida, como também o Peito de Vitela que é um prato muito elaborado, muito elogiado pelos nossos clientes.
Como é feita a combinação entre a culinária francesa e a cozinha brasileira?
O Chef Christophe Lidy teve essa grande ideia. Porque na verdade, quando ele chegou aqui, havia a ideia de implantar somente o cardápio francês, porém foi sendo percebido que muitos clientes chegam e querem comer algo que conheçam melhor e aí ele teve a ideia de acrescentar essas coisas ao cardápio, como as massas que são pratos que saem bastante. Tem o picadinho, por exemplo, que é um prato bem brasileiro e que também é um sucesso.
Na sua opinião, qual é o toque mais marcante da culinária francesa?
Além do sabor, uma boa apresentação é importante. Aqui nós trabalhamos muito bem com isso. O Chef Christophe Lidy não deixa passar nenhum deslize, presta atenção em todos os detalhes, as folhas bem verdinhas, tudo fresquinho. A culinária francesa, aqui no Gracia & Rodrigues, não dispensa a boa apresentação, o sabor, enfim, a qualidade de um modo geral.
Qual é a sua maior realização como Chef?
Não tenho dúvidas de que é estar onde estou, trabalhar aqui no Garcia & Rodrigues é uma grande realização. Trabalhei em outras casas mas sempre tive vontade de trabalhar aqui. Ser Chef do Garcia & Rodrigues não é para qualquer um, então, para mim, trabalhar aqui, estar aqui está sendo muito bom.
Para quem está começando agora na carreira gastronômica, quais seriam os conselhos?
Eu acho importantíssimo para quem está iniciando, para que vem de cursos ou faculdades na área da Gastronomia, ao chegar em um restaurante, tem que ser humilde, a humildade é importantíssima. É preciso ser ágil e muito responsável. Eu vejo, hoje em dia, que alguns jovens ainda não sabem o que querem exatamente e este é o primeiro passo, a pessoa analisar, pensar bem se é aquilo mesmo que quer e, em seguida, se entregar de corpo e alma à profissão porque essa área requer muito da pessoa, te que estar disponível, tem que se entregar mesmo se a pessoa quer crescer.