Nascido em Shandong, no norte da China, o Chef Lam tem muita história para contar sobre seus 46 anos de carreira gastronômica. Começou a trabalhar com apenas 16 anos e seu primeiro emprego já foi no Hoover Sky Restaurant, um restaurante de comida chinesa em Hong Kong. De lá para cá, passou pelos diversos serviços que um restaurante oferece, desde a limpeza de panelas e mesas à produção de pratos, até assumir, aos 22 anos, a cozinha do famoso restaurante chinês Mr Chow em Londres.
Foi no Mr Chow de Nova York que aconteceu o encontro com o empresário brasileiro Eike Batista. Deste encontro, nasceu uma amizade de quase seis anos que resultou no autêntico restaurante Mr. Lam – em homenagem ao nome do Chef -, inaugurado em junho de 2006 na Zona Sul do Rio de Janeiro.
Decorado sob os preceitos da filosofia oriental Feng Shui, o Mr Lam encanta os clientes em seus três ambientes – o salão principal com entrada de luz natural; o mezanino, no segundo piso, com quatro pequenas salas separadas por cortinas de veludo vermelho com tratamento acústico que tornam o espaço mais reservado e discreto; e, por fim, o terceiro piso, que oferece uma varanda ao ar livre, com vista para o Corcovado e para a Lagoa Rodrigo de Freitas.
O que despertou seu interesse pelo mundo gastronômico?
Desde muito cedo, meu pai era gerente de restaurante e comecei ainda adolescente a trabalhar na cozinha, naquela época não havia muita opção, mas acabei dando sorte pois sempre fui muito feliz com minha vida.
Como foi sua experiência no Mr. Chow?
Foram 37 anos muito interessantes e ricos em experiências. Definitivamente, mudou minha vida. Agradeço muito pela sorte que tive. Aos 22 anos recebi o convite para assumir a cozinha do famoso restaurante chinês Mr. Chow, em Londres. Era a primeira vez que viajava sem a família, para morar sozinho, mas aceitei na hora. Quando Chow abriu o primeiro restaurante lá, havia apenas quatro chineses trabalhando para ele e eu era um deles. Depois assumi a cozinha do Mr. Chow em Nova Iorque.
O Sr tinha apenas 22 anos quando aceitou o convite para assumir a cozinha do Mr. Chow, em Londres. Quais foram as principais dificuldades pelas quais passou?
A mudança de país talvez tenha sido a maior dificuldade.
Sua história com o Mr. Lam e com o Brasil começou através do empresário Eike Batista. Conte-nos um pouquinho sobre essa relação.
Nos conhecemos há muito tempo e ele sempre quis abrir um restaurante comigo aqui no Brasil, para mim foi um presente o reconhecimento por uma vida dedicada a cozinha que nunca imaginei receber, fui abençoado.
E qual é a emoção de administrar a cozinha de um restaurante que recebe o seu nome?
É bem diferente, a responsabilidade é muito maior, ainda mais pela distância, mas tenho uma equipe de 5 chefes chineses que garante a qualidade e me deixam mais tranqüilo quando não estou aqui.
Hoje, o Sr. ainda mora em Nova Iorque. E a cozinha do Mr. Lam, como é feita essa administração?
Além dos chefes chineses que ficam responsáveis pela execução dos pratos e manutenção dos padrões, tenho uma equipe muito dedicada que resolve tudo para mim: das compras a gerência do empreendimento como um todo, tudo funciona como um relógio. É uma sorte poder contar com uma equipe tão qualificada.
É preciso confiar muito nos profissionais que assumirão a cozinha de um restaurante, principalmente morando em outro país. Conte-nos como foi a montagem da sua equipe no Mr. Lam.
Todos os chefes vieram de hong Kong e foram indicados por pessoas de confiança, não tivemos problemas, são os mesmo chefes desde a inauguração.
Em sua opinião, qual é o segredo para conquistar o cliente?
Qualidade e dedicação. Se o chef fizer um prato e quando estiver pronto pensar “eu definitivamente comeria esse prato” essa é a receita do sucesso. O mesmo acontece com o serviço sempre buscamos superar as expectativas, atender aos outros com gostaríamos de ser atendidos.
Dos pratos do restaurante, qual é o mais popular entre os clientes?
O pato Laqueado, o Ma Mignon e o MR. Batista Prawns são os mais pedidos.
O Mr. Lam também é muito conhecido por realizar eventos corporativos no Rio. Conte-nos como são esses eventos.
São jantares coorporativos e sociais, atendemos desde pequenos grupos de 6 a 8 pessoas até jantares e almoços de 80 a 100.
Como é feita a adaptação do cardápio chinês ao paladar brasileiro? É difícil agradar o público carioca?
Já tenho bastante experiência com o paladar ocidental e o brasileiro não é muito diferente dos outros. As diferenças ficam pela quantidade de comida que os brasileiros pedem, sempre gostam de beliscar antes de começar o serviço propriamente dito. Outra grande diferença é o gosto pelas sobremesas que são um grande sucesso no Mr Lam mas que nós chineses não comemos. O público carioca não é muito difícil de agradar, é muito aberto a novas experiências e com certeza isso ajudou muito no sucesso do restaurante.
O que, em sua opinião, é fundamental para ter sucesso na Gastronomia?
Dedicação e conhecimento aliados ao prazer do que se faz. A busca da felicidade deve vir antes de mais nada e o sucesso com certeza vai aparecer com o tempo.